Prezados colegas do LinkedIn e leitores de minha coluna no Portal Celulose, do Nexum Group, começarei esta retrospectiva do primeiro semestre de 2026 com uma expressão de espanto e confirmação de todas as piores previsões descritas pelos analistas, inclusive por mim, em minha publicação de meados de janeiro.
Naquela época, achávamos que viveríamos o “ano mais desafiador da década“, pelos cenários sombrios que imaginávamos que poderiam acontecer ao longo deste ano inusitado.
O que estamos vivenciando apenas nestes primeiros seis meses já supera, em muito, tudo o que poderíamos antever, porém com uma quantidade e intensidade ainda maiores de fatos e ocorrências danosas, em nível mundial e em nossa rotina caseira no Brasil.
No que concerne ao cenário geopolítico mundial, vemos o acirramento das guerras entre Rússia e Ucrânia, EUA e Irã e entre Israel e Líbano (e demais seguidores do regime dos aiatolás do Irã e do Hezbollah).
Neste dia 29/06/26, ao escrever esta coluna, temos o “cessar-fogo” fragilmente construído entre EUA e Irã, tendo o “Estreito de Ormuz” como a “moeda de troca” a ser disputada entre os dois contendores, sob os olhares atentos da comunidade internacional e a inércia da OTAN (em plena decadência junto à Europa Ocidental).
Neste particular, vimos, neste período de apenas seis meses, a atuação diária da liderança “de mão de ferro” de Trump, definindo e impondo regras à economia e à geopolítica mundiais, sendo protagonista de várias investidas bélicas contra o Irã e seus seguidores, com o respaldo frágil da OTAN, tendo como alegação (justificável, se comprovada) a eliminação das armas nucleares enriquecidas sob o solo iraniano. Precisaremos acompanhar os próximos capítulos desta “novela americana”, em especial quando se extinguir o pífio acordo de cessar-fogo de 60 dias entre as duas partes em litígio.
Na Europa Oriental, vimos o acirramento da longeva guerra de mais de quatro anos entre Rússia e Ucrânia, porém com “fatos novos e surpreendentes“, por meio do avanço e protagonismo eletrônico, estratégico e logístico da Ucrânia frente à aparente inoperância da potência bélica russa, sofrendo e sendo parcialmente enfraquecida pelos “drones logísticos ucranianos”, notadamente a partir deste mês.
Se não houver uma grande retomada russa nos próximos três meses, o que se observa é um avanço progressivo da Ucrânia na destruição de estruturas logísticas e de abastecimento russas, além da possível retomada da Crimeia (ocupada pela Rússia desde a “invasão silenciosa e efetiva de 2014”) e de outras regiões próximas às divisas entre os dois países que foram inicialmente invadidas e ocupadas pela Rússia desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. Espero, sinceramente, que a Ucrânia e seu resiliente líder Zelensky retomem o que sempre foi seu de direito e que o ditador Putin tenha uma derrota e humilhação históricas em nível mundial.
No que concerne à guerra milenar entre Israel e os países árabes, em especial o Líbano e seguidores do grupo terrorista Hezbollah, apoiados pelo Irã, tenho pouco a comentar, além de entender que este conflito não terá fim nem acordo efetivo no curto prazo, apesar da grande quantidade de civis e inocentes libaneses dizimados por Israel nesta luta desigual pela sobrevivência do povo judeu, encravado entre os povos árabes do Oriente Médio.
Ou seja, em nível da geopolítica internacional, o primeiro semestre foi intenso e imprevisível, com reviravoltas a cada novo dia em todos os continentes afetados, e ainda restam muitas incertezas para o segundo semestre. Agora, cabe a nós, como sul-americanos, esperar e torcer para que esses conflitos se atenuem e não tenhamos o risco, por vezes iminente, da eclosão de uma “terceira guerra mundial“, com a consequência de se transformar em uma “guerra atômica”, de final imprevisível para a humanidade. Rezo, a cada novo dia, para que o “bom senso” prevaleça nesses conflitos.
No que diz respeito ao nosso cenário caseiro nacional, vivemos igualmente um primeiro semestre intenso, em que a corrupção, o populismo e a politicagem barata tomaram os holofotes e a atenção da imprensa local, afetando todos nós, brasileiros de bem.
Ao falarmos em corrupção, abuso do poder econômico alheio e conchavos com as altas cúpulas de Brasília, temos a figura mais comentada no Brasil neste período: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e autor principal (junto a vários autores coadjuvantes) de um rombo de mais de R$ 100 bilhões aos cofres públicos e investidores privados (como o meu caso, em que entrei no FGC – Fundo Garantidor de Créditos – para reaver os R$ 250 mil mal investidos por dois bancos privados gigantes aos quais confiei parte de minhas aplicações financeiras). Neste particular, faço menção honrosa ao banco Itaú Personnalité, que não aplicou um centavo meu neste descalabro financeiro, fruto de sua forte curadoria e atenção com seus investidores.
Esta “novela Vorcaro” ainda levará alguns meses para ser resolvida e arrastará consigo grandes figurões da política partidária nacional, de esquerda, centro e direita, além da alta cúpula de nosso Poder Judiciário. Nunca se viu tanta corrupção e “sujeira institucionalizada” no Brasil como nos acontecimentos envolvendo o Banco Master e suas teias nefastas à imagem das instituições e dos políticos de nosso país. Isso precisa ter um fim.
No campo profissional, em especial no setor de celulose, papel e logística, onde atuo com maior proeminência, vivenciamos um ano de muito rigor financeiro nas empresas, marcado pela busca incessante e, por vezes, agressiva pela “eficiência operacional” de seus processos, com ênfase na redução de custos, desperdícios, otimização massiva de processos e ajustes de governança e dos organogramas, com várias demissões percebidas em grandes produtores do setor.
Esses reflexos foram sentidos em minhas andanças e visitas às várias indústrias, junto aos meus principais clientes, e na participação em workshops específicos do setor, onde foi percebido um ambiente mais fechado e menos propenso a novos investimentos, com cortes profundos em atividades menos essenciais e não prioritárias.
Este cenário ácido foi bastante afetado pelo acirramento da “guerra comercial” e pelo maior volume de produtos no mercado, impostos pela China com sua estratégia marcante de “capitalismo de estado”, na qual o governo atua diretamente suportando as indústrias e estratégias comerciais chinesas em todos os setores industriais, ao contrário do que observamos com o governo nacional e a falta de apoio aos setores industriais e ao agronegócio.
Neste instante, estou me preparando para o jogo mata-mata da fase pré-oitavas entre Brasil e Japão, lembrando que nosso país encerrará suas atividades produtivas a partir das 12 horas, em especial nos setores não afetados pela logística dos jogos, reduzindo ainda mais a já combalida “produtividade industrial/comercial brasileira”.
Neste contexto, insere-se a proposta populista e absurda do governo federal de “forçar a extinção da escala 6×1“, prejudicando ainda mais a produtividade e o livre-arbítrio entre patrões e empregados em nível nacional. Deixem as pessoas trabalharem dentro de “critérios predefinidos” entre sindicatos de trabalhadores e setores patronais e parem de impor escalas populistas e eleitoreiras sob a alegação de trazer mais descanso e convívio com as famílias, atributos que só serão alcançados por meio de atividades laborais estáveis, nas quais haja equilíbrio nas relações entre as partes.
Finalizando minha retrospectiva destes primeiros seis meses fulminantes que estamos vivendo, reforço a importância do “voto consciente” nas eleições presidenciais que teremos em outubro, para que uma perspectiva de mudança positiva para o futuro do país e das novas gerações possa acontecer. Não podemos continuar vivendo em um país onde a corrupção, a criminalidade e a falta de infraestrutura, saúde e educação prevaleçam em detrimento de uma sociedade mais justa, igualitária e humanizada para as futuras gerações. Este é o legado que precisamos construir juntos.


